quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Para reflectir...


Um velho índio descreveu certa vez em seus conflitos internos: "Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Os dois estão sempre brigando..." Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, reflectiu e respondeu:

"Aquele que eu alimentar".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009


A linguagem humana é essencial na comunicação. Possui uma variada gama de sons, timbres, tonalidades, pausas e acentos. Normalmente é acompanhada por gestos expressivos. Por vezes nem são necessárias palavras: é suficiente um olhar, um abraço, um simples gesto. Porem, geralmente, as palavras são essenciais. A palavra revela aquele que a pronuncia, é laço de comunicação humana, unifica ou desintegra.
O ouvir e o falar são necessidades vitais do homem. Na primeira leitura deste Domingo, o profeta e o poeta Isaías usa a palavra feita profecia para nos apresentar a prova de que Deus está perto do homem: "Os olhos do cego abriram-se, os ouvidos do surdo abriram-se, o coxo saltará como o cabrito, a língua do mudo cantará". Aquele que É faz milagres. Precisamente no Evangelho narra-se um milagre simples de Jesus: faz ouvir e falar um surdo-mudo. Este gesto de Jesus não tem nada a ver com magia, mas, como todos os milagres, está ao serviço da fé: Jesus abre primeiro o coração daquele homem, para que depois possa ouvir a mensagem e falar das maravilhas de Deus. O primeiro milagre e oculto é abrir o coração.
Todos sabemos que "não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir". Na nossa sociedade e nas nossas comunidades cristãs necessita-se também do milagre colectivo de que Deus "abra os ouvidos e solte as línguas".
O testemunho cristão é hoje mais necessário do que nunca. Cada um de nós terá que abrir os seus ouvidos à mensagem de Deus e, sobretudo, soltar, a nossa língua com valentia para falar de Deus abertamente. Há entre os cristãos, especialmente naqueles que são pessoas públicas, políticos e líderes sociais, muita vergonha na hora de falar de Deus. Não são precisamente mudos, embora se façam de surdos.
Porém, não basta atribuir as culpas aos políticos. Quando falamos de fé, cada um deve pôr primeiro o dedo no seu próprio coração e perguntar-se: estou a fazer-me de surdo? Hoje Deus continua a falar e a mendigar ouvidos que O escutem.

Alfonso Crespo, Diocese de Malaga

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eu perguntaria, por esta altura, o que foram as férias para ti. Um pouco de tudo isto? Nada disto? Que procuraste? O que encontraste? Que trouxeste? Que tens para dar?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Deus visto por uma criança de 5 anos



Num infantário, na turminha dos 5 anos, a educadora pede às crianças para fazer um desenho.

Enquanto as crianças desenhavam, a educadora passeava-se pela sala e repara na forma como uma das crianças desenhava.

O que estás a desenhar? (pergunta a educadora)

Deus. (responde a criança)

Mas nunca ninguém viu Deus, ninguém sabe como ele é. (remata a educadora)

Ai não? Então dentro de segundos todos vao ficar a saber como Ele é... (conclui a criança)



O desenho da criança era muito parecido com este.



Deus não tem uma cara com a qual o possamos identificar, mas sempre que olharmos para o outro com os olhos do coração podemos ver lá Deus.


domingo, 6 de setembro de 2009

Fazer cócegas


Os alunos da catequese representaram a cena evangélica da cura de um surdo-mudo.
Quando Jesus se afastou com o homem e lhe meteu os dedos nos ouvidos, aquele, que na representação estava a ser curado, mexeu-se cheio de cócegas e desatou a rir.

Na apreciação da mensagem, um miúdo perguntou, com toda a seriedade:
- Senhor Padre, Jesus também fazia cócegas?
Compreendi a razão da pergunta e corrigi:
- Não foram as cócegas, como nesta representação, que curaram aquele homem. Jesus fala, escuta e vê e por isso retribuiu ao surdo-mudo a capacidade de escutar, falar e ver com toda a dignidade.

Um outro miúdo acrescentou:
- Mas eu já vi uma figura de Deus a fazer cócegas a Adão.
Ao pedir mais informações identifiquei a cena da Criação, na Capela Sistina, em que Miguel Ângelo põe o dedo de Deus Criador a tocar em Adão. Tive que concordar:
- Sim, Deus faz-nos cócegas porque gosta de nós, porque quer ver-nos felizes, a sorrir e porque quer pôr-nos a mexer... São estes gestos de carinho que nos salvam.

Quem me dera que toda a gente sentisse como cócegas todas as intervenções de Deus na nossa vida.

Meditando para o XXIII domingo do tempo comum- dehonianos



segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Antes de nos pormos a caminho para receber o Pão da Vida, Jesus recorda-nos que,
antes de mais, somos convidados, que é Deus que dá o primeiro passo: “Felizes os
convidados para a ceia do Senhor!” De seguida, pede-nos que façamos um acto de fé:
“Dizei uma palavra e serei salvo!” Crer n’Aquele que Deus enviou… Crer, isto é, ter
confiança nas suas palavras e nos seus gestos. Aquele que tem confiança sabe que
não ficará decepcionado. O que Cristo quer é que vivamos plenamente, enquanto
vamos ao seu encontro: a sua palavra é alimento, a sua carne (a sua pessoa) é
alimento, com Ele ficamos saciados. Ele vem até nós para que vivamos d’Ele e, por
Ele, a nossa vida ganhe sentido, os nossos gestos possam dar a vida, as nossas
palavras possam exprimir a ternura, a nossa oração se torne relação filial com o Pai.

Os judeus recriminavam Jesus: “Esse homem não é Jesus, filho de José?
Conhecemos bem seu pai e sua mãe. Como pode dizer «Eu desci do céu»?” Os
adversários de Jesus discutiam a sua origem e a sua pretensão exorbitante. Devemos
reconhecer que a dificuldade dos compatriotas não era pequena. Jesus não tinha nada
de extraterrestre. Se estivéssemos lá, talvez tivéssemos a mesma atitude… Ora, para
descobrir o mistério profundo de Jesus, é preciso ir para além das aparências. Para
conhecer Jesus, é preciso acolher a luz que vem da Palavra de Deus, ter o olhar da fé.
A fé é uma “luz obscura”, pede um salto numa “confiança nocturna”, na noite. Isso
verifica-se já nas nossas relações humanas de amor e de amizade. A fé-confiança não
é uma evidência “científica” que leva a uma adesão imediata da inteligência. A fé só se
pode aceitar e viver numa relação de amor, de amizade. Para além das aparências…
Só podemos aceitar a Palavra de Jesus se nos abrirmos a Deus. Jesus pede aos seus
discípulos para terem confiança: “Crede em Deus, crede também em Mim”. A fé é uma
graça, um dom gratuito. Mas é também um combate, segundo São Paulo: “Combati
até ao fim o bom combate… guardei a fé”. Em definitivo, somos reenviados a uma
escolha que, certamente, não suprime as exigências da nossa razão, mas ultrapassaas,
porque aceitamos entrar numa relação de amor e de amizade com Jesus, “o filho
de José”, que reconhecemos também como “o Filho de Deus”.

meditando para o XIX Domingo do tempo comumwww.dehonianos.org




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

No Evangelho deste domingo, Jesus mostra-Se profundamente incomodado
quando constata que a multidão o procura pelas razões erradas e, sem
preâmbulos, apressa-Se em desfazer os equívocos. Ele não quer, de forma
nenhuma, que as pessoas O sigam por engano, ou iludidas. Há, aqui, um convite
implícito a repensarmos as razões porque nos envolvemos com Cristo… É um
equívoco procurar o Baptismo porque é uma tradição da nossa cultura; é um
equívoco celebrar o matrimónio na Igreja porque, assim, a cerimónia é mais
espectacular e proporciona fotografias mais bonitas; é um equívoco assumir
tarefas na comunidade cristã para nos auto-promovermos ou para resolvermos os
nossos problemas materiais; é um equívoco receber o sacramento da Ordem
porque o sacerdócio nos proporciona uma vida cómoda e tranquila; é um equívoco
praticarmos certos actos de piedade para que Jesus nos recompense, nos livre de
desgraças, nos pague resolvendo algumas das nossas necessidades materiais…
A nossa adesão a Jesus deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o
“pão” que nos dá vida.
¨ A recusa de Jesus em realizar gestos espectaculares (como fazer o maná cair do
céu), mostra que, normalmente, Deus não vem ao encontro do homem para lhe
oferecer a sua vida em gestos portentosos, que deixam toda a gente espantada e
que testemunham, de forma inequívoca, a sua presença no mundo; mas Deus
actua na vida do homem de forma discreta, embora duradoura e permanente.
Deus vem, todos os dias, ao encontro do homem e, sem forçar nem se impor,
convida-o a escutar a Palavra de Jesus, propõe-lhe a adesão a Jesus e ao seu
projecto, ensina-lhe os caminhos do amor, da partilha, do serviço. Convém que
nos familiarizemos com os métodos de Deus, para o conseguirmos perceber e
encontrar, no caminho da nossa vida.



Meditando para o XVIII Domingo do tempo comum in www.dehonianos.pt