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quarta-feira, 1 de julho de 2015







Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor, agora reformado.

Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho. O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes – de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes:

– Reparem como todos procuraram escolher as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas… Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores…

Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:

– Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza…e apreciai o vosso chocolate quente.




Autor desconhecido.





sexta-feira, 31 de outubro de 2014





Uma mãe preparava o jantar, totalmente concentrada no que fazia. Chegou a filha mais nova da escola e começou a contar-lhe o que tinha feito nesse dia.
   A mãe respondia-lhe distraidamente com acenos de cabeça e poucas palavras. Momentos depois sentiu puxar pela saia e ouviu:
   - Mãe!
   Respondeu-lhe mais uma vez brevemente, mas continuava entretida a olhar para o fogão e a preparar as batatas fritas, o prato preferido dos filhos. A menina insistiu;
   - Mãe!
   Esta continuou sem olhar para ela. Foi então que a criança a puxou com todas as forças. A mãe foi obrigada a inclinar-se e a olhar para ela, que lhe disse:
   - Mãe, escute-me com os olhos!


Escutar alguém com os olhos é como dizer-lhe:  «Tu és importante para mim!» Costuma dizer-se que os olhos são o espelho da alma.




quinta-feira, 2 de maio de 2013











O rosto da Mãe

Corria-se a volta à Itália em bicicleta. Na etapa da montanha, os ciclistas escalavam o monte com muita dificuldade. De repente, Bartali saiu do pelotão e, pedalando, pedalando, mantém a fuga e chega isolado a cortar a meta.
Fazem-se muitas perguntas, inúmeros comentários sobre a proeza. O próprio Bartali acabou por explicar o sucesso: Foi muito simples, estava cansado, como todos os meus companheiros. Levantei então a cabeça e olhando a linha do horizonte, divisei a saliência de uma pedra que parecia desenhar o rosto de minha mãe. Veio-me à cabeça a sua preocupação pelos meus irmãos mais novos. Eles precisavam que eu ganhasse aquela etapa. O prêmio dos Alpes era muito importante para lhes pagar os estudos. Foi como se eu tivesse tomado uma injeção de energia. Se soubessem como as minhas pernas começaram a pedalar?! Vamos, tenho que ganhar! disse para comigo próprio.
Quando cortei a meta no meio dos aplausos, senti que aquela etapa tinha sido ganha pela minha mãe.


Se ganhamos o Céu, é a nossa mãe do Céu que o ganha para nós. Não o ganhamos sem Ela. Ela puxa-nos para cima, e tem pressa de que o ganhemos. Nas várias etapas da nossa vida, sobretudo se são de montanha, reconheçamos o rosto de Maria, nossa mãe e causa da nossa esperança. Digamos-lhe muitas vezes, ao longo do dia: Minha Mãe, minha confiança.




Transcrito do Livro Os Mistérios de Maria, de Antônio Cardigos.





terça-feira, 25 de setembro de 2012









Era uma vez uma flor 
que nasceu no meio das pedras. 
Quem sabe como conseguiu crescer 
e ser um sinal de vida no meio de tanta tristeza.

Passou uma jovem 
e ficou encantada com a flor. 
Logo pensou em Deus. 
Cortou a flor e levou-a para a Igreja. 
Mas após uma semana, a flor tinha morrido.

Passou um homem, viu a flor, 
pensou em Deus, 
agradeceu e deixou-a ali; 
não a quis cortar para não a matar.
 Mas, dias depois veio uma tempestade e a flor morreu...

Passou uma criança 
e achou que aquela flor era parecida com ela:
 decidiu voltar todos os dias.
 Um dia regou, 
outro dia trouxe terra,
 outro dia podou, 
depois fez canteiro, 
colocou adubo...

Um mês depois,
 lá onde só tinha pedras e uma flor
 havia um jardim. 





quinta-feira, 13 de setembro de 2012








 A importância do perdão

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no chão da casa.
Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo, chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado.
Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito comigo o que fez. Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:
- O Juca humilhou-me na frente dos meus amigos. Não aceito. Queria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão.
Levou o saco até o fundo do quintal e o menino acompanhou-o, calado.
Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe-lhe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está a secar no estendal é o teu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento teu, endereçado a ele. Quero que acertes todo o carvão do saco na camisa, até ao último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra.
O estendal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.
Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa.
O pai que espiava tudo de longe, aproximou-se do menino e perguntou-lhe:
- Filho, como te sentes agora?
- Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira e carinhoso diz-lhe:
- Vem comigo até ao meu quarto, quero- te mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo.
Que susto! Só se conseguia ver os dentes e os olhinhos!
O pai, então, diz-lhe ternamente:
- Filho, viste que a camisa quase não se sujou; mas, olha só para ti. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos...




Cuidado com os teus pensamentos; eles transformam-se em palavras.
Cuidado com as tuas palavras; elas transformam -se em ações.
Cuidados com as tuas ações; elas transformam-se em hábitos.
Cuidado com os teus hábitos; eles moldam o teu caráter.
Cuidado com o teu caráter; ele controla o teu futuro.





terça-feira, 31 de julho de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012








Numa cidadezinha bem pertinho daqui vivia uma família muito bonita. O pai era trabalhador honesto, a mãe sempre servia na igreja e as crianças eram maravilhosas. Mas tinha um filho, o Joãozinho, que não acreditava em nada. Tudo que lhe contavam ele dizia: “só acredito vendo!” Sua irmã dizia-lhe muitas coisas e ele sempre repetia: “só acredito vendo”. A mesma coisa acontecia com os irmãos. No final do ano o pai muito amoroso prometeu que daria uma bicicleta ao filho que lhe trouxesse uma nota máxima da escola. As crianças então esforçaram-se, estudaram bastante e aguardaram o resultado das provas. No dia em que receberam o teste saíram a correr para casa para mostrar ao pai. O Joãozinho encheu o peito e foi para casa, orgulhoso, carregando a prova com nota máxima nas mãos, mas, no caminho e sem perceber como, tropeçou e caiu. A prova saiu das suas mãos e o vento encarregou-se de levá-la para longe. O menino ficou desesperado pois queria ganhar a sua bicicleta. Vendo que não tinha jeito ele pensou: “meu pai é um homem bom e de fé vai acreditar em mim”. Quando chegou a casa os irmãos já haviam entregado as provas ao pai e ele aproximou-se com os olhos vermelhos. O pai perguntou: “não conseguiste meu filho, por isso esta a chorar?” O menino começou a contar ao pai o ocorrido. Os irmãos, que ouviam atentos, exclamaram numa só voz: “só acreditamos vendo!” O menino entristeceu-se pois ele sabia que era verdade. O pai chamou-o, olhou-o nos seus olhos e perguntou: “eu preciso ver para acreditar que meu filho amado está a dizer a verdade?” O menino com lágrimas nos olhos disse: “não pai, estou a dizer a verdade, podes acreditar em mim”. O pai abraçou-o e, depois do abraço, disse-lhe: “meu filho nem sempre é preciso ver para crer, isso é ter fé”.





quarta-feira, 6 de julho de 2011

É suficiente




Naquela região havia uma tremenda seca como nunca se tinha visto. A erva tinha secado. As árvores mais frágeis já estavam todas mortas. Nem sequer uma gota de água chovia do céu. Os animais estavam a morrer aos milhares. Poucos tinham força para fugir desta aridez desértica. A secura era cada dia maior. Até as fortes e velhas árvores, que afundavam as suas raízes na profundidade da terra, perdiam as suas folhas. Todas as fontes e nascentes tinham secado. Rios e ribeiros não tinham uma gota de água. Apenas uma pequena flor permaneceu com vida, porque uma pequeníssima nascente lhe dava ainda um par de gotas de água.
Mas a nascente estava a ficar desesperada:
- Tudo é aridez e morte. E eu nada posso fazer. Que sentido têm as minhas gotas de água?

Ali próximo estava uma velha e robusta árvore. Ouviu a lamentação e, antes de morrer, disse à nascente:
- Ninguém espera de ti que faças com que o deserto reverdeça. A tua missão é a de manteres com vida essa pequena flor. Nada mais.


Comentário:
A nascente lamentava-se daquilo que não podia fazer. É o que fazem algumas pessoas que gostariam de fazer grandes coisas. Mas essas lamentações são tempo perdido.
De facto, cada qual, ante os problemas do mundo, é convidado a fazer o que lhe é possível e nada mais. Nem que a sua obra seja apenas «uma gota de água no oceano».


Dás importância aos pequenos gestos de amor, de ternura, de carinho?



“Ferreira, Pedrosa – EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”





quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um dia uma velhinha chamou para a recepção de um hotel e escutou a voz doce da recepcionista:

- Bom dia! Em que é que a posso ajudar?
- Bom dia, respondeu a velhinha. Eu sou Isabel. Pode dizer-me que horas são?
- São 6 h da manhã.
- Muito obrigada pela sua simpatia e que tenha um dia muito feliz.
- Igualmente para si
No dia seguinte repetiu-se a mesma chamada, à mesma hora e o mesmo diálogo.
No fim da terceira vez, a recepcionista um pouco impaciente acrescentou:
- A senhora não pode comprar um relógio?
E a senhora explicou:
- Sabe uma coisa? Eu tenho na minha casa cinco relógios: um de parede, dois despertadores e dois relógios de pulso. Mas quando eu acordo de manhã, nenhum deles me diz «bom dia» da maneira tão doce como a senhora me diz. Muito obrigada, que Deus a abençoe e que tenha um dia muito feliz. Vou sempre rezar por si.


Quando o telefone desligou a recepcionista ficou com as lágrimas nos olhos e ficou com pena não lhe ter pedido o número do telefone porque ficou com medo que a velhinha tivesse ficado ofendida e que, no dia seguinte, não voltasse a chamar a recepção do hotel às seis horas da manhã. Agora era ela que ia sentir a falta de ouvir aquela voz trémula às seis horas da manhã».





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011


A pedra no caminho...



Era uma vez um rei que vivia num país distante, há muito tempo.Ele era um homem sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos ao povo. Frequentemente esse rei fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis, mas tudo o que ele fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador.O rei dizia que nada de bom pode vir a uma nação cujo povo reclama tudo e espera que outros resolvam os problemas.

Numa noite, enquanto todos dormiam, o rei pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia.
O dia amanheceu e apareceu na estrada um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes. Ao ver a pedra, o homem ficou aborrecido e disse, enquanto se desviava da pedra“Quem já viu tamanho descuido? Por é que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada?” O fazendeiro foi embora a reclamar a inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra. Depois, um jovem soldado vinha a cantar pela estrada e pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra e não viu a pedra. O soldado tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. O rapaz ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa e também praguejou e reclamou acerca dos preguiçosos que deixaram aquele pedra ali.O jovem foi embora furioso sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra do caminho. E assim correu o dia...
Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra no meio da estrada, mas ninguém tirava a pedra do caminho. Finalmente, ao cair da noite, a filha do dono do moinho da cidade, passou pela pedra. Era uma jovem trabalhadora e estava cansada, já que desde cedo andava ocupada no moinho, mesmo assim, ao ver a pedra disse para si mesma: “Já está a escurecer alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente, vou tirá-la do caminho.” Então a moça tentou arrastar a pedra dali. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar.
Então, para sua surpresa, a jovem encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ela ergueu a caixa com dificuldade, já que era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa da caixa os seguintes dizeres: "esta caixa pertence a quem retirar a pedra". Ela abriu e descobriu que estava cheia de ouro.
Então o rei, finalmente, apareceu e disse com carinho: “Minha filha, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles, se assim preferimos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção, normalmente, é o preço da preguiça.”
O sábio rei montou em seu cavalo e, com um delicado boa noite, foi embora. A moça esforçada e trabalhadora ficou rica.


A Mensagem que fica é que Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria e não empurra para os outros as responsabilidades das coisas más que acontecem.Pedras no caminho, todos têm mas o importante é saber removê-las com as próprias mãos.


(Autor desconhecido)



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

chamado Palestina, três Reis Magos, montados em
três camelos, levavam os olhos postos numa estrela,
que os guiava. Tinha-lhes chegado aos ouvidos a
notícia do nascimento do futuro rei dos Judeus, e eles
queriam oferecer-lhe: ouro, incenso e mirra.
Por fim, a estrela parou sobre o telhado de colmo de
um humilde estábulo.
- O menino deve ter nascido além! - disse o Mago
Baltasar.
- Naquele sítio? ... Mas...
... Aquilo não passa de um estábulo para recolher o
gado! - protestou Melchior.
- Vamos entrar! - decide Gaspar.
Lá dentro, junto de uma vaca e de um burrinho que o
aqueciam com os bafos quentes, viram o menino que
procuravam. José e Maria ficaram espantados com a
presença de visitantes tão ilustres.
- O vosso filho é o Messias! - explicou Melchior. - Ele
será o Salvador do povo de Israel. É o Rei há muito
esperado.
E os três Reis Magos ajoelharam-se diante da
manjedoura, berço de Jesus.
- Hoje é um dia de festa! - exclamou Gaspar.


Dia dos Reis se chama a festa neste dia



quarta-feira, 17 de novembro de 2010




Ele era um homem robusto e de modos bruscos. Ela era uma mulher suave e delicada. Casaram-se. Uma história como tantas…
Mas, quando os filhos casaram, a mulher perdeu o sorriso. Não tinha apetite e começou a emagrecer.
Passado pouco tempo, estava na cama doente. Preocupado, o marido internou-a num hospital.

Vieram muitos médicos, mas nenhum conseguia descobrir a doença da mulher.
Um último especialista chamou o marido à parte e disse-lhe:
- Já descobri… a sua mulher não tem desejo de viver.
Sem dizer uma palavra, o homem, sentou-se ao lado da esposa e pegou-lhe na mão. Depois, com a sua voz forte, disse com decisão:
- Tu não morrerás!
- Porquê?
- Porque preciso de ti!
- E porque é que não mo disseste há mais tempo?
E a partir desse momento, a mulher começou a melhorar. Hoje está de perfeita saúde. E os médicos ainda hoje se interrogam acerca dessa estranha doença, e qual foi o remédio que a curou tão depressa.






Todos precisamos de alguém que nos diga ao ouvido: “Preciso de ti! Tu és importante para mim! Eu amo-te muito!”
Esse alguém são todos os nossos amigos. Precisamos deles como quem necessita do ar para respirar. O pior inimigo do homem é a solidão.
Esse alguém é, de modo muito especial, Jesus Cristo. Mesmo que nos sintamos abandonados por todos, temos uma garantia: Jesus nunca nos abandona. Podemos desabafar com Ele e sentir o seu apelo à esperança.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010





Um homem perdera a esperança no amor de Deus.

Um dia, enquanto andava pelas colinas ao redor da sua cidade, encontrou um camponês que, ao vê-lo aflito, lhe perguntou:
- Amigo, que cara é essa tristonha que trazes?
- Sinto-me imensamente sozinho.
- Mas eu também estou sozinho e sinto-me alegre.
- Talvez Deus esteja consigo.
- Adivinhou!
- Eu, pelo contrário, não sinto a presença de Deus. Não consigo acreditar no seu amor. Como é possível que Ele ame os homens, um a um? Como é possível que Ele me ame?
- Você está a ver lá em baixo a nossa cidade? - perguntou o camponês. Você consegue ver todas as casas? Você está a ver as janelas de todas as casas?
- Claro que sim!
- Então não perca a esperança! O sol é um só, mas todas as janelas, mesmo as mais pequenas e escondidas, recebem os seus raios todos os dias, logo de manhã. Acho que se você está triste e sem esperança é porque a sua janela está fechada.




(Conto árabe)


 
 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nó de Lençol







Numa reunião de pais numa escola da periferia, a professora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos e pedia-lhes que se fizessem presentes o máximo de tempo possível...

Considerava que, embora a maioria dos pais e mães trabalhasse fora, deveria arranjar tempo para se dedicar às crianças.

Mas a professora ficou muito surpreendida quando um pai se levantou e explicou humildemente, que não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava a dormir. Quando voltava do trabalho já era muito tarde e o filho já não estava acordado.

Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava compensá-lo indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.

E para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A professora emocionou-se com aquela história e ficou surpreendida quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.

O facto faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem presentes, de comunicarem com os outros.

Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó, o que o pai estava a dizer.

Simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou a presença indiferente de outros pais.

É por essa razão que um beijo cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro...

É importante que nos preocupemos com os outros, mas é também importante que os outros o saibam e que o sintam.

As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem reconhecer um gesto de amor.

Mesmo que esse gesto seja apenas um nó num lençol...





terça-feira, 21 de setembro de 2010

VIVE COMO AS FLORES


Num antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre.
"Mestre, como faço para não me aborrecer?

Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam".
- "Pois viva como as flores!", advertiu o mestre.
- "Como é viver como as flores?" - perguntou o discípulo.
- "Repare nestas flores", continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
- "Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo o que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o odor das suas pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não são seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora. Isso é viver como as flores!"

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O OVO DE COLOMBO

Conta-se que em uma ocasião, Cristóvão Colombo foi convidado para um banquete onde lhe haviam designado, como é natural, um lugar de honra.
Um dos convidados era um cortesão que estava muito enciumado com o grande descobridor,e, quando teve a oportunidade, dirigiu-se a ele e perguntou-lhe de uma forma um tanto impertinente:
-Se você não tivesse descoberto a América, por acaso não existem outros homens na Espanha que poderiam fazê-lo?
Colombo preferiu não responder directamente àquele homem.

"Levantou-se, pegou num ovo de galinha fresco e convidou a todos os presentes que tentassem colocá-lo de forma que se mantivesse em pé sobre um dos seus extremos".
A ocorrência teve bastante aceitação. Quase todos os presentes entraram logo naquele jogo e tentaram um após o outro, uns com mais, outros com menos convicção, ante o olhar atento dos demais. Mas passava o tempo e ninguém conseguia descobrir a maneira de conseguir que aquele ovo danado mantivesse o equilíbrio.
Finalmente Colombo pôs-se de pé, com ar solene, aproximou-se, pegou o ovo e bateu-o levemente contra a superfície da mesa até que quebrou um pouco da casca de uma das pontas e graças a este pequeno achatamento o ovo manteve-se perfeitamente na posição vertical.
-Claro que desta maneira qualquer um pode fazê-lo! – Replicou um pouco alterado, o cortesão.
-Sim qualquer um. Mas "qualquer um" que se lhe tivesse ocorrido fazê-lo. E acrescentou:

- "Uma vez eu mostrei o caminho ao Novo Mundo", "qualquer um" poderá segui-lo. Mas "alguém" teve antes que ter a ideia. E "alguém" teve depois, que decidir-se a colocá-la em prática.

Esta velha e conhecida anedota tem ultrapassado os séculos e levado a formar a expressão de "O Ovo de Colombo", para referir-se a soluções aparentemente muito naturais, sim, mas... "Alguém teria que ter pensado nelas, e alguém depois teve que decidir-se a fazê-las".

Muitas transformações importantes nas pessoas, nas empresas, nos clientes, no mundo do pensamento, ou na sociedade em geral, tem sua origem em descobertas naturais, simples, das quais "alguém" tem sabido tirar proveito. Alguém que soube tirar partido do óbvio, a estas verdades, às que todos temos acesso.

E lembrem-se, apenas PESSOAS como vocês e nós, podem fazer estas coisas simples, naturais.



quarta-feira, 14 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Único Jesus que conheci




«Pregue o Evangelho sempre, se(quando) necessário, use palavras.» - Francisco de Assis

Há alguns anos atrás um prisioneiro branco morreu de ataque cardíaco em Montgomery, no Alabama. Na prisão tivera uma profunda experiência de conversão e construído um relacionamento autêntico com Jesus. O presidiário da cela ao lado, um negro enorme, era cínico. Todas as noites o prisioneiro branco falava por entre as barras da prisão e falava ao seu companheiro sobre o amor de Jesus. O negro troçava dele; dizia que ele estava doente da cabeça, que a religião era o último refúgio dos insanos. Apesar disso, o prisoneiro branco passava-lhe passagens das Escrituras e repartia com ele os doces que recebia de algum parente. Durante o funeral do homem branco, quando o padre falou a respeito da vitória de Jesus na Páscoa, o robusto prisioneiro negro ergueu-se a meio do sermão, apontou para o caixão e disse:"Esse é o único Jesus que eu conheci".


Brennan Manning, in "A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um hino à amizade






O que é que "estar preso" quer dizer?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu. disse a raposa. Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim laços, disse a raposa. Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazito perfeitamente igual a outros cem mil rapazitos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E para ti, eu também passo a ser única no mundo…
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. (…) Mas se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos.
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós, disse a raposa. Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti.
- E o que é que é preciso fazer?, perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto…
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto dor da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar agitada e inquieta: é o preço da felicidade”



quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um tostão para o Santo António

Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não. Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio! O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:

— Dê-me um tostãozinho para o Santo António...





O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:

— Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.

— A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver? E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.
— Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.

— Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.
O senhor mendigo suspirou e disse:— Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje...

O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.

Foi a vez de o garoto suspirar:— Este dinheiro era para eu comprar berlindes...

O homem de sandálias admirou-se:— Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?
O garoto riu-se:— É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.

O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali.

Despediu-se:— Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.

O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:
— Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.

O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes...




António Torrado, O mercador de coisa nenhuma: Porto, Livraria Civilização Editora, 1994.